CEA

Companhia de Eletricidade do Amapá

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 História

O QUE É A CEA

 

Fundada em 30 de junho de 1956, a Companhia de Eletricidade do Amapá, participando, de forma decisiva, do desenvolvimento do Estado do Amapá. A empresa tem seu foco principal voltado para a qualidade dos serviços oferecidos a seus consumidores.

O desafio de levar o conforto da energia elétrica de qualidades aos mais distantes pontos do Estado do Amapá é encarado pela Empresa como um ponto de honra, pois sabemos que o desenvolvimento também se sustenta nos cabos de energia elétrica.

A empresa atende consumidores em todo o Estado do Amapá, sendo consumidores residenciais, comerciais, industriais, rurais, poderes e serviços públicos.

 

CERTIFICAÇÃO

ISO 

A Companhia de Eletricidade do Amapá possui a certificação ISO 9001.

A ISO (International Organization for Standardization) é uma organização fun¬dada em 1946 e sediada em Genebra, na Suiça. Seu propósito é desenvolver e promover normas que possam ser utilizadas por todos os países do mundo.

A ISO possui uma família de normas que trata de qualidade: a ISO série 9000. Nesta família está a ISO 9001, que trata dos requisitos para sistemas de gestão da qualidade. Uma organização que possui um sistema de gestão da qualidade de acordo com a norma ISO 9001 pode solicitar a certificação e obter o “selo de conformidade ISO 9001”. A versão brasileira da ISO 9001 chama-se ABNT NBR ISO 9001.

A ISO 9001 é uma norma de sistema de gestão que permite às organizações verificar a consistência de seus processos, medir e monitorá-los com o objetivo de aumentar a sua competitividade e, com isso, assegurar a satisfação de seus clientes.

Conquistar a certificação ISO 9001 representa um atestado de reconhecimento nacional e internacional à qualidade do trabalho. Ela assegura boas práticas de gestão e relacionamento entre clientes e fornecedores, possibilita maior desen¬volvimento dos colaboradores, serve como alavanca na busca pela qualidade total, propicia condições para maior competitividade no mercado, otimização de processos e a redução de custos.

 

 

 

HISTÓRIA DA CEA

 

ORIGEM

 

A origem da CEA está intimamente ligada a História do Amapá. Em 13 de setembro de 1943, o Amapá é desmembrado do Estado do Pará e transformado em Território Federal.

Em 1950 o governador do Território Federal do Amapá, Capitão Janary Gentil Nunes, iniciou uma série de providências visando viabilizar a administração e encontrar formas de transformar o então Território com possibilidades econômicas.

As pesquisas sobre o potencial mineral apontavam riquezas no solo, com destaque para a jazida de manganês na Serra do Navio. Imediatamente providenciou estudos para avaliar também o setor energético hidráulico, que viesse atender as necessidades imediatas de iluminação e visando a instalação de indústrias.

As pesquisas de viabilidade hidráulica apontavam os Rios Oiapoque, Jari e Araguari. A princípio o Rio Araguari, pelo potencial de volume d’ água foi escolhido para os estudos definitivos. Localizado eqüidistante dos centros consumidores, a Cachoeira do Paredão apresentava uma queda d’ água de 10 metros, vindo a satisfazer os futuros projetos.

O governo do Território contratou a Companhia Brasileira de Engenharia, para executar o 1º estudo para uma potência de 100.000 KW, sendo 08 unidades de 12.500 KW cada. O engenheiro projetista foi Mauro Thibau, ex-ministro das Minas e Energia.

 

 

PROCESSOS LEGAIS

 

A primeira disposição de ordem legal, relacionada com o problema de energia elétrica no Amapá é constituída pelo Decreto 35.701 de 23 de junho de 1954, atribuindo ao Governo do Território do Amapá (GTFA), a incumbência de promover o aproveitamento progressivo da energia hidráulica da Cachoeira de Paredão, entre os municípios de Amapá e Macapá. Neste ano o GTFA contratou os serviços aerotogramétricos e a firma SERVIX ENGENHARIA para executar o anteprojeto para uma potência de 46.600 KW com duas unidades de 23.300 KW cada.

Posteriormente, a Lei n° 2.740 de 02 de março de 1956, autorizou o governo a criar a COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO AMAPÁ - CEA – com o objetivo de construir e explorar os sistemas de produção, transmissão e distribuição de energia no Território Federal, visando basicamente promover as medidas necessárias para a expansão do mercado de energia elétrica, prevendo e estimulando a criação de um parque industrial.

A CEA iniciou os estudos aerotogramétricos, topográficos, hidrológicos, e desmatamento da área. Em 1959, já dispondo dos levantamentos topográficos da bacia de acumulação, levantamento batimétricos, sondagens dos eixos das barragens e outros estudos, a CEA abriu concorrência pública para definir a execução do projeto, que previa uma potência de 180.000 KW, com cinco unidades geradoras de 36.000 KW, com instalação posterior de mais três, dependendo das bacias de regularização que seriam construídas à montante da obra, na região de Serra do Navio, aproveitando a Cachoeira de Veado, no Rio Amapari e a Cachoeira do Arrependido e como alternativa, o Rio Falsino, afluente do Rio Araguari.

Com este projeto praticamente definido, as obras foram iniciadas em 1961, pela empresa TECHINT, sob a fiscalização da construtora GRUBIMA. Por falta de recursos, as obras foram parcialmente paralisadas em agosto de 1963. E, no início de 1964 ocorreu a paralisação total.

Até então tinha sido construída a ombreira do vertedouro e fundações. Em função disso foram rescindidos amigavelmente, por proposta das próprias construtoras, os contratos com as empresas TECHINT e GRUBIMA. Essa forma de rescisão contribuiu para uma economia de 25% sobre os custos orçados na época para obras civis, além da liberação da CEA de compromissos anteriormente assumido e o livre emprego de Royalties.

No final de 1965 foi estipulado um novo contrato com a firma Escritório de Construção e Engenharia S/A - ECEL - de São Paulo, para as obras civis. O projeto original foram analisados e modificados pela ELETROCONSULT do BRASIL.

 

 

RETOMANDO AS OBRAS

 

Em 1966 a CEA contratou a firma ELETROCONSULT, de Milão, para que reexaminasse o projeto e fornecesse o parecer técnico sobre as obras e os estudos das viabilidades. O parecer técnico indicava alternativas, mas ficou decidido que o vertedouro continuaria obedecendo o projeto original, sendo alteradas apenas a cota das soleiras.

Quanto a barragem da casa de máquinas, ficou reduzida para a instalação de duas unidades de 20.000 KW e mais um vão livre para instalação de uma terceira unidade.

Em 1966, após concluídos os estudos, a CEA decidiu reiniciar as obras, com a Empresa ECEL. A consultoria e fiscalização ficaram com a ELETROCONSULT.

No período de 1966 a 1971, as obras sofreram várias paralisações. Por isso foi criada em 1º de agosto de 1971, a Superintendência da Eletrobrás. Sob esta supervisão direta, previu-se que a primeira etapa das obras da Usina, que se constituía de duas unidades de 20.000 KW e do Sistema de Transmissão de Macapá, entrasse em operação no segundo semestre de 1975.

Os serviços reiniciaram em agosto de 1971, entrando em operação comercial em janeiro de 1976.

 

 

PRIMEIRA VISITA À CACHOEIRA DO PAREDÃO

 

Foi por volta das 07h00 da manhã do dia 12 de junho de 1947 que o então Governador Capitão Janary Nunes e sua comitiva pegaram um pequeno barco-motor e desceram o Rio Araguari com o objetivo de analisar as possibilidades de aproveitamento para fornecimento de energia hidroelétrica do referido rio.

Estiveram acompanhando o Capitão Janary, o Dr. Hermógenes de Lima Filho (Diretor da Divisão de Obras); Mr. John Lucien Hummel (Engenheiro-chefe do Serviço Especial de Saúde Pública); Tenente Dulcício Alves Barbosa (reformado da Aeronáutica); Sr. Daniel Martins (fotógrafo); Geraldo Silva (da empresa de Mineração Apolo).

Após saírem de Macapá às 12h do dia 11 de Junho, seguiram em destino à Porto Grande (na época era apenas uma pequena Vila), onde pernoitaram e seguiram viagem pela manhã, através de um barco-motor cedido pela comunidade.

Ao descerem o rio Araguari, registraram algumas fotos até a região da Cachoeira do Pião e Caldeirão. Às 14 horas, depois de fazerem uma ligeira refeição, o então governador e sua comitiva seguiram viagem pela Cachoeira.

O Capitão Janary, o Dr. Hermógenes e Mr. Hummel ficaram observando a Cachoeira do Paredão durante quase uma hora, por jusante e montante nos seus interessantes aspectos. Possuindo cerca de 900m de extensão por 10m de altura, prevendo-se uma elevada quantidade de potencial hidroelétrico, calculado pelo menos em 200.000 HP na totalidade. (a Cachoeira fica numa distância em linha reta de 110 km de Macapá.)

Por volta das 19h, o Cap. Janary e sua comitiva começaram a fazer viagem de retorno, chegando à fazenda pertencente ao Sr. Dulcídio, onde pernoitaram e seguiram retorno à Macapá na manhã seguinte, chegando nesta capital por volta das 8 horas da manhã do dia 13.

Um dos marcantes momentos dessa viagem pela Cachoeira do Paredão veio por parte do Mr. Hummel, Eng.º-chefe do SESP, que revelou o seu entusiasmo pelo futuro econômico da região que teve oportunidade de visitar.

 

O PRIMEIRO 'BLECAUTE' OCORRIDO NA HISTÓRIA DA CEA

 

Segundo registros encontrados no extinto jornal AMAPÁ (órgão oficial do Governo Territorial), o primeiro blecaute ocorrera em 21 de março de 1963, quando cinco dos seis motores de geração (da antiga Usina de Luz e Força da capital) perderam força e desligaram-se. A cidade de Macapá, contendo cerca de 12.000 habitantes, ficara às escuras no horário das 19h30 às 20h00. Um dos possíveis motivos, segundo Dr.º Alberto Moreira (então Diretor Técnico) pudera ter sido por causa do tempo adverso devido estar chovendo quando o fato ocorrera, ou seja, quando chovia, o fornecimento de energia elétrica aumentara, quando não, dobrara o consumo.

Outro fato também ocorrera próximo ao Natal de 1982, quando a capital sofria com alguns blecautes "ligeiros" devido os reservatórios da UHE Coaracy Nunes estarem vazias. Em vez de chover na região do Araguary (afetada), somente chovia em Macapá. Na época, a Diretoria da CEA já pensara em um plano para efetuar um blecaute para o Natal e o Reveillón daquele ano, mas por um milagre, a situação teve uma reviravolta. Logo chovera na região do Araguary e normalizara os reservatórios da UHE Coaracy Nunes.

De 2000 à 2002, constatou-se cerca de 15 blecautes parciais causados por "TRIP" (curto por sub-frequência) em uma das três turbinas da Hidrelétrica do Paredão, em maioria, pela Máquina 03 considerar-se a mais nova do sistema de geração.

Outro grande apagão foi registrado no dia 18 de maio de 2003, quando a Linha de Transmissão (LT) 69/13.8Kv desligou automaticamente, causando perda de 98,5% do sistema que distribui energia elétrica para a capital e as principais regiões do Estado.

 

 

ANTES DA CEA, JÁ EXISTIA ENERGIA ELÉTRICA NO AMAPÁ

 

Antes mesmo (e até depois) da promulgação constitucional da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), algumas localidades já beneficiavam-se com Usinas próprias. Veja o histórico:

Macapá - Acredita-se que a primeira Usina de Luz e Força da cidade foi criada em 1937, durante a gestão do prefeito Francisco Alves Soares, que, vendo o descaso que a vila encontrava-se, providenciou a instalação de uma Usina para o melhoramento social da mesma.

Com a criação do Território do Amapá e a chegada do primeiro governador, em 1948, a Usina foi ampliada, recebendo 04 motores Caterpillar tipo D-1700, gerando uma capacidade total de 300 KW.

Devido o crescimento populacional que a capital vinha sofrendo na época, o governador Janary Nunes solicitou a ampliação da área da Usina (que inicialmente funcionara na Av. General Gurjão, atual prédio administrativo da Embratel), instalando mais 02 grupos geradores de grande porte para sustento local até às conclusões da 1ª etapa da construção da Hidrelétrica do Paredão (UHCN) em 1968 e da construção da Subestação Santana (Rodovia Duque de Caxias) em 1976.

 

Santana - Segundo o historiador Estácio Vidal Picanço, natural da região que anteriormente chamara-se Mangueiro, havia um motor de 4.000 velas cedidos por alguns técnicos da Icomi usado no início da década de 40, enquanto os mesmos faziam estudos para a implantação da empresa na região.

Em 1962, o então funcionário Francisco Côrrea Nobre instalara o primeiro sistema de luz elétrica na Vila Maia, colocando dois motores à diesel (instalados no prédio que atualmente funciona a agência da CEA naquele município), que funcionara com óleo doado pela Icomi, abastecendo a pequena localidade das 19h às 22h. "Havia uma sirene que anunciava quando a energia iria ser desligada. Tempo das geladeiras à base de querosene", relembra seu Antônio Queiróz, ex-funcionário da Icomi, morador de Santana desde 1961. Com a inauguração da SE Santana, foi construído o sistema de distribuição de energia elétrica para Santana a partir de 1975, chegando ao fornecimento 24h.

 

Laranjal do Jari - O então prefeito de Mazagão, tenente Eriberto Magalhães, solicitou em 1952, do governo territorial, a implantação de um gerador de 6.000 velas para a então Vila do Jari (como era conhecido). Seu pedido foi atendido.

O sistema durou até sua reforma em 1966 quando a empresa Jari Florestal Ltda., pertencente ao bilionário norte-americano Daniel Ludwig, fixou-se na região para o aproveitamento direto da celulose extraída da região. A empresa contribuiu com a construção de uma pequena Usina de Luz e Força que fornecia energia elétrica para o povoado com mais de 1.200 habitantes.

Em fevereiro de 1984, o governador Anníbal Barcellos inaugurara o sistema elétrico no local, após instalar 02 grupos geradores de 355 KVA cada, que inicialmente beneficiou cerca de 3.200 pessoas. Em 1986, a Usina foi ampliada com mais 4 grupo geradores, no Bairro do Agreste. Em 1994 foram desativadas as Usinas anteriores e instaladas 3 Unidades de 2.500 KW cada, beneficiando cerca de 30.000 habitantes.

 

Oiapoque - Após o decreto que criara a Colônia de Clevelândia, em 1920, foi construído uma Usina de Luz e Força para acomodar aquela população que, influenciada pela questão de um novo crescimento local, apostavam que o Oiapoque seria o portal da Amazônia.

Somente quase duas décadas e meia depois, em agosto de 1944, veio a ser reestruturada a Usina de Luz e Força na Vila de Espírito Santo do Oiapoque (como era conhecido). Em 1949, a Usina foi reformada e equipada com um grupo gerador Caterpillar de 32KVA. Em 1978 a CEA construiu uma nova Usina com 3 grupos geradores de 280 KW cada. Em 1993 foram instaladas 2 unidades Russas de 2.500 KW cada.

 

Mazagão – Segundo a pesquisa elaborada pelo Eletrotécnico Emanoel Jordanio em alguns registros históricos da região, um gerador de 5.500 velas (linguagem utilizada na época) foi o primeiro fornecedor de energia elétrica do município, datado em 1938. Mas foi em 1962 que o município teve sua primeira Usina de Luz, garantido pelo governador Amilcar Pereira, equipado com um grupo gerador de 75 KVA, fornecedora de energia elétrica para um pouco mais de 7.900 habitantes.

Em fevereiro de 1979, o governador Anníbal Barcellos inaugurou o sistema de distribuição de energia elétrica 24h no referido município, fornecida diretamente pela UHE Coaracy Nunes.

 

Porto Grande - A pequena vila, com um pouco mais de 2.000 habitantes, teve sua Usina de Luz e Força inaugurado em dezembro de 1949, com a presença do Brigadeiro Francisco de Assis Côrrea de Melo, comandante da 1ª Zona Aérea e amigo pessoal do governador Janary Nunes, onde pôde relatar posteriormente a um jornal carioca sobre o desenvolvimento social e urbano que o então Território do Amapá começara a viver. A partir de 1978 Porto Grande passou a receber energia da Hidrelétrica “Coaracy Nunes”.

 

Calçoene - A pequena vila contida de quase 2.200 habitantes teve a inauguração de uma Usina de Luz e Força em julho de 1950, com um motor Caterpillar de 31 KW. Em 1971, a Usina foi reformada com mais um motor (de 7,5 KW), podendo atender a demanda local.

A mais recente reforma na Usina foi 1995, onde era equipada com quatro motores com capacidade de geração para 400KW (cada), totalizando 1.200KW, sendo um motor reserva. A Usina fornecia energia 20h/dia. A Partir do final de 2001 o Município de Caçoene passou a receber energia proveniente da Hidrelétrica de “Coaracy Nunes”.

 

Amapá - No início do funcionamento da Base Aérea, o município era fornecido por um grupo gerador de 122,5KVA, de propriedade dos americanos, que somente distribuíra energia elétrica para o povoado por 5h/dia. Segundo seu José Almeida da Silva, 92, ex-morador da região, por volta de 1940, existira um motor que funcionou para suprimento da Vila até a chegada dos americanos e posteriormente tornou-se maquinário para fornecer energia para iluminação pública do local.

Em 1958, foi inaugurado a Usina de Luz e Força no município, com um grupo gerador de 25 KW. Em 1977 construiu uma Usina com 3 Grupos Geradores de 280 KW cada. Em Novembro de 2001 o Município de Amapá passou a ser atendida pela Hidrelétrica “Coaracy Nunes”.

 

 

UHCN - USINA HIDRELÉTRICA “COARACY NUNES”

 

Estudos haviam sido feitos para analisar a capacidade construtiva de uma barragem sobre o leito de três rios (Oiapoque, Jari e Araguary), sendo que o Araguary recebeu citação e, posteriormente, aprovação, devido apresentar uma queda d'água de 10 metros, vindo a satisfazer os futuros projetos. Em primeiro estudo, foi constatado que poderia ser possível atingir uma potência de 100.000Kw, com 08 unidades de 12.500KW cada, assim indicado pelo engenheiro projetista Mauro Tribal, ex-ministro das Minas e Energia.

A própria CEA iniciou os estudos aerofotogramétricos, topográficos, hidrológicos, e desmatamento da área. Em 1959, já dispondo dos levantamentos topográficos da bacia de acumulação, levantamento batimétricos, sondagens dos eixos das barragens e outros estudos, a CEA abriu concorrência pública para definir a execução do projeto, que previa uma potência de 180.000 KW, com 05 unidades geradoras de 36.000 KW, com instalação posterior de mais três, dependendo das bacias de regularização que seriam construídas à montante da obra, na região de Serra do Navio, aproveitando a Cachoeira do Veado, no Rio Amapari e a Cachoeira do Arrependido e como alternativa, o Rio Falsino, afluente do Rio Araguary.

Com este projeto praticamente definido, as obras foram iniciadas em 1961, pela empresa TECHINT, sob a fiscalização da construtora GRUBIMA. Por falta de recursos, as obras foram parcialmente paralisadas em agosto de 1963. E, no início de 1964 ocorreu a paralisação total.

Até então tinha sido construída a ombreira do vertedouro e fundações. Em função disso foram rescindidos amigavelmente, por proposta das próprias construtoras, os contratos com as empresas TECHINT e GRUBIMA. Essa forma de rescisão contribuiu para uma economia de 25% sobre os custos orçados na época para obras civis, além da liberação da CEA de compromissos anteriormente assumido e o livre emprego de Royalties.

No final de 1965 foi estipulado um novo contrato com a firma Escritório de Construção e Engenharia S/A - ECEL - de São Paulo, para as obras civis. O projeto original foram analisados e modificados pela ELETROCONSULT do BRASIL.

Em 1966 a CEA contratou a firma ELETROCONSULT, de Milão, para que reexaminasse o projeto e fornecesse o parecer técnico sobre as obras e os estudos das viabilidades. O parecer técnico indicava alternativas, mas ficou decidido que o vertedouro continuaria obedecendo o projeto original, sendo alteradas apenas a cota das soleiras.

Quanto a barragem da casa de máquinas, ficou reduzida para a instalação de duas unidades de 20.000 KW (cada) e mais um vão livre para instalação de uma terceira unidade, dependendo de regularização à montante.

Em 1966, após concluídos os estudos, a CEA decidiu reiniciar as obras, com a Empresa ECEL. A consultoria e fiscalização ficaram com a ELETROCONSULT.

No período de 1966 a 1971, as obras sofreram várias paralisações. Por isso foi criada em 1º de agosto de 1971, a Superintendência da Eletrobrás. Sob esta supervisão direta, previu-se que a primeira etapa das obras da Usina, que se constituía de duas unidades de 20.000 KW e do Sistema de Transmissão de Macapá, entrasse em operação no segundo semestre de 1975.

Os serviços reiniciaram em agosto de 1971, entrando em operação comercial em janeiro de 1976.

A obra foi encampada pelo Decreto-lei N.º 74.303 de 19 de julho de 1974, assinado pelo Presidente Ernesto Geisel e entregue à ELETRONORTE. Neste Decreto é definida a responsabilidade da Eletrobrás para a realização da operação, indicada a fonte de recursos para a indenização (Fundo Global de Reversão) e determina a entrega dos bens atingidos pela encampação para a Eletronorte. O custo desta etapa, previsto a preço de dezembro de 1974, deveria chegar em torno de Cr$ 816,6 milhões.

Nessas condições e custo de energia elétrica gerada, segundo critérios tarifários em vigor e considerando a demanda do mercado consumidor de Macapá e Santana, seria na ordem de Cr$ 781,00 por MWH. Ou seja, um preço absurdo , que poderia colocar em risco o tão grandioso projeto.

 

UHCN - Dados recolhidos do Boletim Informativo Mensal da CEA - agosto de 1960. (1ª Etapa da Usina Piloto Etapa B):

 

A estrutura da obra B era constituída de barragem de terra com 530m de comprimentos, 120m de base e 8m de crista; barragem de concreto com 150m de comprimento, onde foi projetada a Usina Piloto e 10 comportas, para o sistema vertedor, cada qual com 12,5m de largura por 7 m de altura e capaz de descarregar, sob controle, até 10.000m³ de água por segundo; barragem de terra de 75m de comprimento, concluídas no mesmo alinhamento e constituindo um conjunto rígido com 22m de altura e capaz de reter 135 milhões de m³ de água na bacia de acumulação da Usina.

Para o fechamento do braço principal do rio Araguary, foi construída a "Enceradeira C" com 642m de comprimento, 153.000m³ de terra e 19m de altura na parte mais profunda do rio. Foram construídas também as "Enceradeiras 'E', 'F', 'I' e 'J', a fim de desviar os braços secundários e o "Igarapé da Onça", com 11.628m³ de terra compacta. O canal "K", com 230m de comprimento, por 4m de largura e com profundidade média de 5m, foi escavado em rocha e terra, a fim de desviar o "Igarapé da Onça". Uma observação se faz necessária: a Usina Piloto na obra B foi excluída pela ELETROCONSULT.

Linha de Transmissão (LT) - Com 100 km de comprimento com tensão de 66 KV, a Linha de Transmissão Paredão/Macapá teria sua estrutura em madeira tipo H e condutores de alumínio 300.000 CM. Uma Subestação Transformadora em Macapá, faria a distribuição de corrente em alta tensão de 13,8Kv. A Usina Piloto funcionaria tão logo fosse concluída a Obra "B" e fechada a "Enceradeira C". Neste momento, as águas deverão alcançar a cota de 112, permitindo a acumulação de 15.970.430 m³ de água e uma queda mínima de 8,5m na turbina.

Desta situação seria possível obter, com a instalação de um gerador, até a potência de 24.500 HP, com o nível d'água de montante na cota acima referida. No projeto definitivo da ELETROCONSULT, a LT, passou a ter tensão de 138 KV com torres em estrutura metálica e condutores de alumínio 266,9 ACSR-MCM com 108 km de extensão até Santana, onde está localizada a subestação abaixada 138 KV / 69Kv.

Outros Registros de Época da UHCN - A UHE Coaracy Nunes foi implantada na jusante da Cachoeira do Paredão, aproveitando, inclusive o canal secundário do rio Araguary, denominado I Igarapé da Onça. Sobre o Igarapé e a depressão que margeia a enseada, foi erguida a barragem vertedouro e a ombreira esquerda em concreto com capacidade de escoamento de 10.000 m³/s com 10 comportas de setor. O restante da depressão é fechado por uma barragem de terra e entroncamento 760m de comprimento, ligada ao vertedouro por um muro de arrimo em concreto.

A extensão total da barragem é de 1.500 m. A crista da obra está na cota 123 e o reservatório é de 135.000.000 m³. O desnível aproveitável é de 20 m e a potência da Usina em sua 1ª Etapa é de 40.000Kw em duas máquinas de 20.000 KW cada uma, adquiridas da firma japonesa Hitachi. Na margem esquerda do canal principal está a casa das máquinas, inteiramente escavadas na rocha com 23m de profundidade.

Panorama Geográfico - Transpondo o canal principal de Araguary que tem cerca de 28m de profundidade no local. Vencendo a depressão na margem direita, há a barragem de concreto seguida de outra, de terra e ancoramento de contato envolvente. Na barragem principal, também em concreto, foram previstas na época, duas tomadas de água destinadas à alimentação de uma futura casa de força que seria localizada na margem direita do rio.

O vulto de expansão possível na casa de máquinas n.º 02 era previsto alterações. A energia que se dissipa durante as cheias no vertedouro da Usina, é imensa. A execução de uma barragem de regularização e montante que permitisse a formação de um lago maior que o admitido pelos pequenos desníveis verificados na região do Paredão, poderá elevar a vazão regularizada do Rio Araguary. Dos atuais 480 m³/s para 2.400 m³/s, possibilitando a instalação de até 400.000 KW.

Cachoeira do Arrependido - Este local já foi estudado e está situado na Cachoeira do Arrependido, há 80km da montante do Paredão. Permitiria a formação de um reservatório de dois bilhões de m³, suficiente para manter a descarga regularizada prevista. Com esse custo do KW instalado no Paredão - é de hoje o elevado mais compatível com uma obra pioneira em plena selva e com baixa motorização, seria reduzido para nível igual ao de obras na região centro-sul do país.

Descrição do Sistema de Coaracy Nunes – Integravam na época ao Sistema Coaracy Nunes, a UHE de mesmo nome, as subestações de Santana e Macapá e um sistema de transmissão radial, constituído de um circuito na tensão de 69 KV, desta subestação, até a subestação de Macapá. Este sistema abastecia na época de energia elétrica a cidade de Macapá, a capital do então Território do Amapá e o parque industrial da ICOMI, localizada em Porto de Santana e outras pequenas cargas ali instaladas. A UHE Coaracy Nunes, cuja capacidade instalada era de 40 MW, foi construído no Rio Araguary, a jusante da chamada Cachoeira do Paredão, distante a 160km da capital, Macapá.

Na casa de força foi previsto para o local a instalação de mais uma unidade geradora, que permitirá elevar sua capacidade instalada para 70 MW (Já instalada hoje), quando a necessidade de Macapá, atingir valores que justificasse o investimento a ser feito. A Usina é constituída de duas barragens, formando um reservatório que, em sua cota máxima abrange uma área de 25 Km², acumulando um volume de 138 x 10,6 m³ de água.

Barragem Principal - A barragem principal denominada, durante a construção de obra A, é constituída por ombreira direita e esquerda e uma parte central em concreto. A ombreira direita foi construída em enrocamento com núcleo de argila e a esquerda em aterro compacto. Na parte central está situada a casa de máquinas. Esta parte central em concreto do tipo barragem de gravidade, é formada por 17 blocos com as características:

  • Comprimento: 305 m
  • Altura Máxima: 43 m
  • Volume Total de Concreto: 132.000 m²

 

A outra barragem, chamada durante a construção da obra B, é constituída também pelas ombreiras direita e esquerda e uma central em concreto, onde estão instaladas 10 comportas de setor, em10 vãos vertedouros. Através destas comportas, são efetuadas as manobras necessárias para controlar o nível do reservatório. O comprimento total do vertedouro é de 160 m. A altura máxima é de 26 m com capacidade de escoamento de 12.000 m³/s.

Casa de Máquinas - Está localizada no corpo da barragem principal, abrigando os grupos geradores, hall de montagem, sala de comando e instalações complementares à operação da Usina, tais como: quadros de comando e controle, painéis de baixa tensão, equipamentos de corrente contínua, grupos diesel de emergência, sistema de ar condicionado, sala de baterias e outros equipamentos. A energia produzida pelos grupos geradores é conduzida através de cabos aéreos à uma subestação elevadora, situada próximo da Casa de Máquinas.

Esta subestação, constituída por um banco de transformadores monofásicos, tem por finalidade elevar a tensão geral em 13,8 KV, para ser transmitida aos centros de carga. A potência instalada na época era de 36,9 / 49,2 MVA, possuindo espaço necessário para a instalação de mais um transformador trifásico, quando da montagem de um terceiro grupo gerador.

 

GERAÇÃO TÉRMICA E DISTRIBUIÇÃO

 

Paralelamente com a construção das obras da Usina do Paredão, a partir do ano de 1960, a CEA recebeu do Governo do Território o acervo de Usina e Rede de Distribuição em condições precárias, passando a operar, melhorando a ampliando suas instalações, de acordo com a resolução N.º 2.104, de 08/11/1960, do Conselho de Água e Energia Elétrica.

Na época, a CEA Recebeu a Usina Termelétrica, com dois (2) motores de 300 KVA e um (1) de 240 KVA em mal funcionamento, não ultrapassando a ponta máxima do sistema em 400 KW. A rede de distribuição primária era na tensão de 2.400 Volts e a secundária 220/110 Volts. Em posteação precária de madeira não padronizadas. Existia na época racionamento de energia elétrica. As contas de Luz eram pagas em forfait.

Com 5 Km de extensão, a rede de distribuição era composta de cerca de 1.700 postes, 29 transformadores com capacidade instalada de 1.150 KVA com um só alimentador.

Ainda a partir de 1960, a CEA passou a ampliar seu parque de geração Diessel em Macapá, mediante a montagem dos seguintes grupos geradores:

 

3º Trimestre de 1960:

 - 03 grupos geradores, marca MWM, com capacidade de 380 KW cada um.

 

2º Trimestre de 1968:

- 02 grupos geradores, marca FAIRBANKS MORSE, com capacidade de 1.365 KW, cada um.

 

4º Trimestre de 1971:

- 02 grupos geradores, marca GM, com capacidade de 1.780 KW cada um.

 

A rede de distribuição também passou a ser reformada e ampliada dentro dos padrões recomendáveis e paulatinamente foram sendo instalados medidores de energia elétrica nos consumidores.

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